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sábado, 9 de julho de 2011

Israel estuda a proposta para tornar o domingo um dia de descanso


O Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou estudar a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho para quatro dias e meio, prolongando o fim de semana em um dia e declarando feriado o domingo, que atualmente é trabalhado.

Netanyahu indicou seu assessor econômico e presidente do Conselho Econômico Nacional, Eugene Kandel para estudar a questão, que teria importantes consequências econômicas, sociais e religiosas. O Vice-Primeiro-ministro Silvan Shalom, que havia proposto a medida, argumentou que se deve "passar a um longo fim de semana o mais rapidamente possível, de acordo com todos os países do mundo desenvolvido".

Segundo o jornal Haaretz apontou, o plano é para que sábado e domingo sejam feriados e a sexta-feira seja um dia de trabalho até meio-dia.

Kandel espera estabelecer uma comissão composta por todos os ministérios relevantes para considerar as implicações da proposta. Netanyahu admitiu que a questão é complexa e requer um estudo sério de vários ângulos: econômicos, sociais, religiosos e ideológicos.

O fim de semana em Israel é celebrado da sexta-feira ao sábado, sendo que as lojas e escritórios estão abertos na manhã de sexta-feira. Os feriados no país começam ao anoitecer da sexta-feira, como uma marca do judaísmo, até o anoitecer do sábado, sendo este intervalo santo e de descanso para esta confissão religiosa.

Shalom, disse que a iniciativa tem a aprovação da Associação dos Fabricantes de Israel, Câmaras de Comércio, União das Autoridades Locais, Associação de Hotéis, sindicatos de professores, Conselho Econômico Nacional e do Diretor Geral do Gabinete do Primeiro-Ministro.

Dois membros do Knesset Likud, Zeev Elkin e Yariv Levin apresentaram um projeto de lei sobre a introdução de um longo fim de semana. A iniciativa destinava-se a forçar o gabinete a tomar uma decisão a este respeito.

Shalom sugeriu que o fim de semana seja sábado e domingo, enquanto a semana de trabalho seria de segunda a sexta ao meio-dia. "Em troca do fim de semana prolongado, vamos trabalhar meia hora mais por dia", disse ele. Uma das razões para a proposta foi a ausência de um "fim de semana" real em Israel, como no mundo ocidental.

Mais de 75 por cento da população mundial e 100 por cento da população do mundo desenvolvido têm adotado os sábados e domingos como dias de descanso.

Shalom disse que a mudança seria boa para a economia de Israel.

A medida também resultará em uma semana escolar de cinco dias, o que significaria a introdução de uma hora na escola e da obrigação de fornecer o almoço nas escolas.

Fonte: IGNews (via Diário da Profecia)

NOTA: Quem diria que até o Estado de Israel um dia iria "flertar" com o descanso dominical... É o fim dos tempos...

FONTE: MINUTO PROFETICO

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bruxelas sedia conferência sobre lei dominical


[Na segunda-feira, 20], a European Sunday Alliance (Aliança Europeia para o domingo - ESA) promoveu em Bruxelas, Bélgica, uma conferência sobre a proteção do domingo como jornada não laborável, sob o título “O valor agregado da sincronização do tempo livre”. A ESA é uma rede de alianças nacionais formadas por sindicatos, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas, entre as quais também se encontram a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) e a Conferência das Igrejas Europeias (KEK). Entre os temas tratados estão a segurança dos trabalhadores, o equilíbrio entre trabalho e vida profissional com a vida familiar, e a importância do fim de semana para a vida comunitária. Os organizadores assinalam que “o encontro procura informar os responsáveis políticos europeus sobre a importância de um tempo de qualidade sincronizado não só no aspecto cultural dentro do patrimônio europeu, mas também como um importante fator de construção da Europa social: uma UE consciente das exigências de seus cidadãos”.

“O movimento dominical está agora abrindo caminho nas trevas. Os líderes encobrem a verdadeira questão, e muitos que se unem ao movimento não percebem para onde propende a tendência oculta. Eles estão agindo como cegos. Não veem que se um governo protestante abandona os princípios que deles fizeram uma nação livre e independente, e, pela legislação, introduz na Constituição princípios que propaguem a falsidade e ilusão papal, eles estão se lançando nos horrores romanos da Idade Média” (Ellen White, Review and Herald Extra, 11 de dezembro de 1888).

“Muitos há, mesmo entre os que se empenham neste movimento em favor da imposição do domingo, que se acham cegos aos resultados que seguirão a essa ação. Não veem que golpeiam diretamente a liberdade religiosa. Muitos existem que jamais compreenderam as reivindicações do sábado bíblico e o falso fundamento sobre o qual repousa a instituição do domingo. [...] Os que se empenham em conseguir uma emenda à Constituição, para obter uma lei que imponha a observância do domingo, mal compreendem qual vai ser o resultado. Uma crise está iminente” (Ellen White, Testemunhos Seletos, v. 2, p. 318, 352).

(Evidências Proféticas)

Nota: O decreto dominical (praticamente o último sinal da iminência da volta de Jesus) será promulgado pelos Estados Unidos, mas essas iniciativas na Europa podem ser consideradas um “ensaio” desse ato final. Quando a lei for aprovada pelos norte-americanos, os europeus (e certamente a maioria das pessoas nos demais continentes) a acatarão facilmente. E o ECOmenismoestá aí para fornecer uma razão lógica para aqueles que não querem nada com religião (portanto, receberão a marca da besta na mão – estude Apocalipse 13). Estes dias são solenes; devemos aproveitar a calmaria que antecede a tempestade; como diz o pastor Erton Köhler: "Jesus tem pressa de voltar."[MB]

Leia também: "Inception of European Sunday Alliance in Brussels"

Vaticano convidará não religiosos a encontro pela paz


O Vaticano convidará personalidades que se definem como não religiosas ao encontro mundial inter-religioso pela paz previsto para o fim de outubro em Assis, no centro da Itália, anunciou o cardeal Tarcisio Bertone. Em um editorial publicado pelo Osservatore Romano, o cardeal Bertone destaca a vontade de convidar "também algumas personalidades da ciência e da cultura que se definem como não religiosas" [será que Dawkins vai?]. "Não apenas porque a paz é responsabilidade de todos, e sim, mais profundamente, porque estamos convencidos de que a posição de quem não acredita ou custa a crer pode desempenhar uma papel saudável para a religião como tal, ajudando por exemplo a identificar possíveis degenerações e falsidades", afirma no texto.

O Papa Bento XVI anunciou em abril a convocação de uma jornada inter-religiosa de "oração pela paz e a justiça no mundo" para "celebrar o 25º aniversário do encontro histórico que se celebrou em Assis em 27 de outubro de 1986, por vontade do venerável Servidor de Deus João Paulo II".

(Terra)

Nota: Além da bandeira ECOmênica, a luta pela paz é o tipo de causa que tende a colocar as diferenças de lado e unir as pessoas, independentemente do credo (ou da falta dele). O Vaticano vem desempenhando seu papel profético e a aglutinação das massas é algo previsto no Apocalipse. A iniciativa, em princípio, é boa. O problema serão os meios utilizados para se tentar chegar aos alvos propostos. Em algum momento, esses meios vão cercear a liberdade de minorias fieis à Palavra de Deus. Não nos esqueçamos também de que, “quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts 5:3).[MB]
Fonte: www.criacionismo.com.br

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Daniel 2 - A história do mundo em 49 versos

Quando estava estudando a Bíblia para receber o batismo na Igreja Adventista do Sétimo Dia (em 1991), um dos capítulos que mais me impressionaram foi justamente Daniel 2. Como era possível que alguém vivendo cerca de 600 anos antes de Cristo* pudesse prever com tanta precisão e riqueza de detalhes a história da humanidade em apenas 49 versos? Ao mesmo tempo em que estudava as Escrituras, eu me preparava para o vestibular com o objetivo de cursar Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela época, eu já sabia que para ser um bom redator era necessário saber escrever com clareza, concisão e dar o máximo de informação no menor espaço possível. Daniel fez exatamente isso!

Nesse capítulo, o profeta fala sobre o sonho que deixou Nabucodonosor intrigado. O monarca, sabendo que os astrólogos e adivinhos poderiam inventar algum tipo de interpretação (qualquer semelhança com as “revelações” vagas dos horóscopos de hoje não é mera coincidência), exigiu que eles lhe dissessem do que se tratava o sonho. Missão impossível, claro. Quando o rei disse que mataria todos os sábios, caso não lhe dessem a resposta, o desespero foi geral. Mesmo Daniel e seus amigos seriam punidos com a morte. Você acha que os hebreus se desesperaram também? Nada disso.

Daniel, Misael, Hananias e Azarias pediram tempo ao rei e foram para casa. Para quê? Simples: para orar pedindo a resposta a Deus. É em tempo de provação que o caráter se revela e aqueles moços conheciam suficientemente ao Senhor para saber que Ele não os deixaria na mão naquela situação. “Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite, pelo que Daniel louvou o Deus do céu” (Dn 2:19).

É bom lembrar que para receber a revelação de Deus Daniel havia se preparado adequadamente. Além de ser um jovem de oração, ele cuidava da saúde física, lembra? Naquele tempo, ele não tinha como saber disto, mas o fato é que o cérebro funciona como uma espécie de “antena parabólica” que Deus usa para Se comunicar conosco. Bebidas e alimentos impróprios acabam danificando essa “antena” e ofuscando os sinais. Se quisermos ouvir claramente a voz de Deus e ter discernimento claro, devemos imitar Daniel e seus amigos e manter nossa “antena” limpa.

Depois de receber a revelação, Daniel procurou o chefe dos eunucos e lhe pediu algo que deixa sua bondade ainda mais evidente: “Não mates os sábios de Babilônia” (v. 24). Inacreditável! Aquela era a chance de o profeta se livrar de uma vez por todas de seus invejosos concorrentes: os astrólogos, os magos e os feiticeiros. Mas não. Naquele momento, Daniel revelou o amor incondicional de Deus que ama até mesmo o maior dos pecadores (embora não aceite seus pecados).

Na presença do rei, o chefe dos eunucos tentou levar vantagem. Disse que havia achado alguém que tinha a resposta do enigma. Mentira. Fora Daniel quem se dirigira até ele. O profeta hebreu deixou esse detalhe de lado e atribuiu a verdadeira honra a quem de direito: “O mistério que o rei requer nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual revela mistérios; Ele fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser no fim dos dias” (v. 27, 28). No verso 11, os astrólogos haviam se saído com esta: “Só os deuses podem dar a resposta que o rei quer, mas eles não habitam com os homens.” Bela desculpa! Daniel contradiz os pretensos adivinhos e afirma que há, sim, um Deus no Céu que Se interessa pelo ser humano e interage com ele revelando Sua vontade.

Séculos depois, o grande cientista Isaac Newton expressaria essa mesma verdade nas seguintes palavras: “A autoridade dos imperadores, reis e príncipes é humana; a autoridade dos concílios, sínodos, bispos e presbíteros é humana. Mas a autoridade dos profetas é divina” (As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel, p. 26).

Daniel aproveitava toda oportunidade para falar de Deus, pois sabia que Ele é o único que pode dar sentido à vida das pessoas e cuja palavra é confiável e autorizada. Não procurava chamar atenção para si, mas apontava sempre ao Senhor a quem servia.

Ao revelar exatamente o que o rei havia sonhado, Daniel conquistou-lhe o respeito e a confiança de que certamente também poderia interpretar o sonho. É interessante notar que os pensamentos do rei antes de ter o sonho diziam respeito ao que “há de ser depois disto” (v. 29), ou seja, tinham a ver com o futuro. E Deus lhe concedeu um vislumbre dos séculos seguintes por meio de uma metáfora em forma de estátua. Aparentemente, se tratava de uma simples figura humana composta por vários metais: cabeça de outro, braços e peito de prata, ventre de cobre, pernas de ferro e pés de ferro misturado com barro. Não fosse a interpretação de Daniel, dada nos versos 37 a 45, aquele seria mais um sonho sem pé, nem cabeça – melhor dizendo, esse teria pé e cabeça... mas não teria sentido algum.

Segundo o profeta, cada metal da estátua representa um reino que sucederia Babilônia, e é aí que a precisão histórica da profecia surpreende, porque foram exatamente três grandes reinos (Medo-Pérsia, Grécia e Roma) que surgiram no cenário mundial depois da Babilônia (o ouro), representados, respectivamente, pela prata, o cobre e o ferro. E depois de Roma? Na sequência de metais surge uma mistura estranha: ferro com barro. E todo mundo sabe que eles não se misturam. Perfeito de novo! Com a fragmentação do Império Romano (as pernas de ferro), os povos bárbaros que o invadiram formaram dez reinos (o mesmo número de dedos dos dois pés da estátua), em parte fortes (ferro), em parte fracos (barro), segundo o verso 42.

Os governantes desses reinos tentaram a unificação por meio de casamentos (v. 43), mas não deu certo. Na profecia, nunca mais surgiria um reino mundial depois de Roma. Carlos Magno, Napoleão Bonaparte, Kaiser Guilherme e Adolf Hitler bem que tentaram, mas contra a profecia não tem jeito. E é assim que a Europa permanece até hoje: fragmentada em Estados independentes. Mas como termina o sonho?

No verso 44, Daniel diz que “nos dias desses reis”, ou seja, na época da Europa, uma pedra (símbolo inequívoco de Jesus e Seu reino, conforme Ef 2:20; 1Co 10:4; Lc 20:17, 18), cortada sem auxílio de mãos humanas, atingirá a estátua nos pés, fazendo-a desabar. Essa pedra encherá toda a Terra (v. 35). Dessa forma, Daniel não apenas descreve a sucessão dos impérios, mas também localiza a volta de Jesus numa época específica: a da Europa, que existe desde 476 d.C.

Esse sonho relatado no capítulo 2 de Daniel fornece uma espécie de base sobre a qual as profecias seguintes e mais complexas do livro (e mesmo do Apocalipse) serão construídas. Conforme escreveu Newton, “entre os velhos profetas, Daniel é o mais específico na questão de datas e o mais fácil de ser entendido. Por isso, no que diz respeito aos últimos tempos, deve ser tomado como a chave para os demais” (ibidem, p. 26).

O grande cientista inglês disse ainda que “a realização de coisas preditas com grande antecedência será um argumento convincente de que o mundo é governado pela Providência” (ibidem, p. 180).

Nabucodonosor percebeu isso e o impacto da revelação do sonho foi tão grande sobre o rei que ele disse: “Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (v. 47).

Esse mesmo Deus que guia a história quer dirigir a sua vida. Você aceita?

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. Qual a sua reação quando as coisas dão errado?
2. O que você pode fazer para melhorar sua vida de oração?
3. O que você sente ao perceber que Deus tem a história nas mãos?
4. O que a precisão histórica da Bíblia lhe diz sobre a confiança que podemos ter na Palavra de Deus?

(*) Daniel é de fato uma obra do sexto século? Para muitos estudiosos modernos, não. As profecias referentes a persas, gregos e romanos são “prova”, de acordo com esses autores, de que Daniel era uma espécie de “repórter”, falando do que acontecia em seus dias. Portanto, as profecias de Daniel teriam surgido mais tarde, uns cem anos antes de Cristo. É claro que esse entendimento é válido para aqueles que não acreditam que os profetas sejam realmente capazes de prever o futuro, como a Bíblia mesma ensina. Por outro lado, Gleason Archer, conhecido estudioso do Antigo Testamento, argumenta que somente um autor tão antigo poderia falar com tanta exatidão do sexto século (cf. Merece Confiança o Antigo Testamento?, p. 345). Ou seja, Daniel conhece o século 6 a.C. pela mesma razão que você e eu conhecemos tão bem o século 21 – porque ele viveu naquele período. E ainda que o livro fosse mais recente, continuam impressionantes as profecias acerca do Império Romano e da atuação da “ponta pequena”. Leia mais sobre isso no Apêndice.

Deus e deuses

O que faz o Deus cristão diferente de outros deuses, nos quais os povos acreditaram ao longo da História? Francis Schaeffer dizia que os deuses poderiam ser de dois tipos: pessoais ou infinitos. Para ele, o Deus da Bíblia era o único a reunir as duas características.

Note, por exemplo, um texto típico sobre isto: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: ‘Habito num lugar alto e santo [Deus é infinito], mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito [Deus é pessoal]’” (Isaías 57:15).

Na narrativa de Daniel, é patente essa diferença entre Yahweh e os deuses babilônicos. Instados por Nabucodonosor a descrever seu sonho e a expor sua interpretação, os sábios retrucaram (Dn 2:11): apenas os deuses poderiam atender o rei, mas os tais “não habitam com os homens” [deuses infinitos, impessoais]. Em contraste, na presença do rei, Daniel expressou haver “um Deus no céu” [infinito], o qual revela os mistérios [pessoal, pois Se comunica, revelando-Se e à Sua vontade aos homens]” (v.28).

Deus é único e o único que pode nos salvar (Is 45:22).

Daniel 4 - Sempre existe esperança

Pense na pessoa mais teimosa, para quem é quase impossível falar de Deus. Um ateu decidido. Não. Não apenas ateu, mas o mais famoso filósofo ateu de sua época. Esse era o inglês Antony Flew, o maior ateu do século 20. Flew é considerado o principal filósofo dos últimos cem anos (seu ensaio Theology and Falsification se tornou um clássico e a publicação filosófica mais reimpressa do século 20). Ele passou mais de cinquenta anos defendendo o ateísmo. Para piorar, achava que sabia tudo de religião, já que é filho de pastor metodista. Formou-se em Oxford, lecionou em universidades importantes, mas foi justamente a vontade de buscar a razão de tudo que o fez rever seus conceitos sobre a fé.

No livro Um Ateu Garante: Deus Existe (Ediouro), Flew conta como chegou a negar a Deus, tornando-se ateu. Na segunda parte da obra, ele analisa os principais argumentos que o convenceram da existência do Criador. Na página 144, ele escreveu: “Minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser autoexistente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente.” É um livro que, acima de tudo, mostra que, enquanto há vida, sempre existe esperança. Se houver uma pequena fresta na mente e no coração, Deus pode entrar por ali e Se revelar ao mais teimoso de Seus filhos.

Nabucodonosor também foi “osso duro”, mas Deus soube lidar com ele. Depois de tantas evidências da atuação divina por meio do testemunho dos hebreus fiéis, o monarca orgulhoso precisava de uma lição impressiva. Nos intervalos entre uma batalha e outra, Nabucodonosor dedicou-se a embelezar e fortificar sua capital. Os famosos Jardins Suspensos da Babilônia são obra dele. Além disso, ele construiu 53 templos, 955 pequenos santuários e 384 altares de rua (mesmo tendo recebido provas de que existe apenas um Deus verdadeiro).

O capítulo 4 de Daniel, na verdade, é o testemunho pessoal de uma tremenda conversão. É uma declaração tão impressionante quanto o livro de Anthony Flew, e você já vai saber por quê.

Deus, em Sua misericórdia, concedeu outro sonho ao rei. Desta vez, Nabucodonosor sonhou com uma grande árvore no meio da terra, cuja altura chegava ao céu. Os animais encontravam abrigo debaixo dela e todos se alimentavam de seus frutos. (Interessante é que 19 anos antes, Ezequiel usou o mesmo símbolo da árvore para advertir ao faraó do Egito, conforme Ez 31:1, 14, 18; 29:19; 30:10.)

A certa altura, um anjo desceu do céu com a ordem de cortar a árvore, deixando apenas o tronco com as raízes. O tronco foi atado com cadeias (do aramaico ‘asar, instrumento usado para amarrar animais) de ferro e de bronze. E foi dito: “Seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais na erva da terra. Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e seja-lhe dado coração de animal, e passem sobre ele sete tempos” (v. 15, 16).

Nabucodonosor era mesmo teimoso. Contou primeiramente o sonho aos astrólogos e feiticeiros, para descobrir de novo que esse pessoal não sabia de nada. Então, uma vez mais, Daniel trouxe a interpretação, não sem antes ficar perturbado pelo que tinha que dizer ao rei. A árvore representava o monarca e o cumprimento da profecia dizia respeito unicamente a ele (v. 24). Significava que ele não apenas perderia o poder real por sete anos (sete tempos), como seria acometido de uma doença que praticamente o transformaria num animal (a licantropia é uma doença com sintomas semelhantes). Tudo isso para que ele reconhecesse que é Deus quem tem domínio sobre os reinos do mundo, e o dá a quem quer.

E a cadeia no tronco? Daniel explicou: “Quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o Céu reina” (v. 26). Em seguida, o profeta apelou: “Ó rei, aceita o meu conselho, desfaze os teus pecados pela justiça, e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres, e talvez se prolongue a tua tranquilidade” (v. 27).

Depois de uma previsão como essa e de um apelo poderoso desses, era de se esperar que o rei se arrependesse. Mas não. A teimosia dele só tinha rival em sua vaidade.

Doze meses depois, tempo durante o qual o Egito foi subjugado pela Babilônia juntamente com a impressão da advertência de Daniel, o rei caminhava pelo palácio real e se gabou com as palavras: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meupoder, e para a glória da minha majestade?” (v. 30, grifos meus).

Para Deus, todo pecado é detestável, afinal, ele afasta Seus filhos queridos de Si. Mas se há um pecado especialmente abominável, esse é o orgulho (ou presunção). O adúltero, o ladrão e o assassino, em algum momento, podem se arrepender e pedir perdão. O orgulhoso, no entanto, à semelhança de Lúcifer quando deflagrou a rebelião no Céu, acha-se autossuficiente, capaz de viver sem Deus. Mas o Senhor não desiste fácil de Seus filhos (na verdade, eles é que desistem de Deus), e usou um recurso extremo para abrir os olhos do teimoso e soberbo Nabucodonosor.

Enquanto o rei ainda contava vantagem para si mesmo, o decreto celestial foi pronunciado: “Passou de ti o reino” (v. 31). Em lugar de mármore, o soberano destronado tinha agora a relva debaixo dos pés; seus companheiros passaram a ser os animais do campo, ao invés dos perfumados cortesãos e das belas esposas. Os cabelos e as unhas cresceram. O contraste entre o altivo monarca e a ser bestial era marcante. E isso por sete anos.

O verso 34 diz que no fim daqueles dias, o rei olhou para o céu e seu raciocínio voltou a funcionar. O recado aqui é claro: só existe vida de verdade quando estamos ligados ao Céu. Desligados de Deus, olhando apenas para a terra, para as coisas deste mundo, não passamos de animais racionais (quando muito). Baladas, bebedeiras, glutonaria, sexo sem compromisso (a lista de coisas ruins vai longe) são reflexos da loucura humana em sua correria cega em busca de prazer. A solução está em olhar para o Céu e ver que Deus nos propõe algo muito melhor. Algo que preenche o vazio da alma.

O livro de Daniel mostra que o Senhor guia a história das nações. As profecias dos capítulos 2, 7, 8 mostram o interesse de Deus pelo destino da humanidade, mas o sonho dado ao rei no capítulo 4 revela o interesse do Criador nos indivíduos. Nosso Pai celestial não nos trata como uma massa. Ama-nos individualmente e cuida de cada aspecto de nossa vida. Jesus mostrou isso na prática. Atendia as multidões ao mesmo tempo em que não Se negava a pregar e satisfazer às necessidades de uma pessoa só.

Dessa vez, a lição valeu para o rei. Como sabemos disso? Simples, ele é o autor do capítulo 4, e termina seu testemunho assim: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as Suas obras são verdade, e os Seus caminhos justos, e pode humilhar aos que andam na soberba” (v. 37).

Histórias como a de Nabucodonosor e de Anthony Flew nos dizem que sempre existe esperança. É só olhar para o alto.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. Que tipo de coisas Deus tem usado para chamar sua atenção (sonhos, pessoas, leituras, situações)?
2. Daniel estremeceu ao compreender a mensagem que tinha que dar ao rei. Mesmo assim foi adiante. O que isso nos diz sobre a necessidade de advertir um mundo que caminha para a destruição? De que maneiras podemos dizer às pessoas que Jesus está para vir?
3. Você concorda que o orgulho está entre os piores pecados? Justifique sua resposta.
4. O capítulo 4 de Daniel toca mais uma vez no perigo de deixarmos a conversão ou a mudança de algum mau hábito para amanhã. Por que isso (a procrastinação) é algo perigoso?
5. “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”, diz o apóstolo Paulo, em Colossenses 3:2. Como podemos seguir esse conselho?

Daniel 3 – No meio do fogo

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) lutou até o fim por suas convicções e foi enforcado por causa delas. Doutor em teologia pela Universidade de Berlim, Bonhoeffer ajudou a fundar a Igreja Confessante, que rejeitou desafiadoramente o nazismo. “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”, proclamava. Em abril de 1943, o teólogo foi preso por ajudar judeus a fugirem para a suíça. Em 1945, três semanas antes de as tropas aliadas libertarem o campo em que ele estava, foi enforcado com o irmão Klaus e os cunhados Hans e Rüdiger.

Em toda a história do povo de Deus o martírio tem ocorrido e deixado claro para o Universo que seres humanos que amam a seu Criador estão dispostos a dar a vida por Ele e pelo que é certo. Misael, Ananias e Azarias também passaram por isso.

Nabucodonosor, vaidoso que era, mandou construir uma estátua enorme, toda em ouro. Lembra-se do sonho do capítulo 2? Apenas a cabeça, que representava Babilônia, era de ouro. Depois viriam outros reinos de metais diferentes. Pouco mais de duas décadas após ter tido o sonho,[1] as impressões iniciais causadas pela interpretação de Daniel se foram da mente do rei. Ao construir a estátua dourada, Nabucodonosor estava contrariando a profecia, como que dizendo que seu reino duraria para sempre.

Mas havia outra coisa envolvida nessa atitude do rei. Note que as medidas da estátua são um tanto estranhas: 60 côvados de altura por seis côvados de largura, ou seja, uns 30 metros por 3. Era quase uma “vareta”! Essas medidas não foram escolhidas por acaso. O seis é conhecido como o número do anticristo ou da imperfeição humana, em oposição ao sete, que representa a perfeição de Deus. Portanto, a repetição do seis na estátua era uma indicação de que ela simbolizava, na verdade, todo o panteão de deuses babilônicos (isso fica claro no verso 12). Nabucodonosor esteve perto de conhecer a verdade, mas se deixou levar pela vaidade. “Sentiu-se influenciado pelo temor de Deus; contudo, o seu coração não ficou purificado da ambição mundana e do desejo de exaltação” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 504, 505).

Há uma lição para todo cristão aqui. Alguns acham que a experiência do passado (a conversão, o batismo, uma semana de oração, etc.) pode lhes garantir uma vida de sucesso espiritual. Isso é um engano. Se a relação com Deus não for alimentada diariamente – como o cultivo do amor no casamento, por exemplo –, a derrota é certa.

Bem, depois de construída a estátua, Nabucodonosor mandou convocar todos os oficiais da corte e os governantes vassalos de seu império. Reuniu-os na planície de Dura, diante do ídolo, e deu a ordem: assim que a banda tocasse, todos deveriam se prostrar em adoração à estátua. E ameaçou: se alguém não obedecesse, seria lançado na fornalha e viraria churrasco! E agora? O que fazer? Alguns devem ter racionalizado: “Mas é apenas uma estátua. Eu sei em que creio e não vejo problema em me ajoelhar apenas para preservar a vida.” Sabe o que é pior? Jerusalém era um reino vassalo. O rei dos israelitas estava ali. E se prostrou.

Quantas vezes, cegados pela falta de visão espiritual (lembra da importância da temperança e da clareza mental?), também acabamos cedendo e comprometendo nossos princípios: só vou beber um pouquinho para não ser rejeitado por meus amigos; é apenas uma prova no sábado; darei uma espiada nesse site pornográfico apenas por curiosidade; vou “ficar” com essa garota, afinal, todo mundo faz isso... E, quando menos se espera, o vício se instala e nossa fé desmorona.

A música também tem um poder tremendo sobre nós. Ela pode tanto nos aproximar de Deus, elevando nossos pensamentos, quanto pode nos distanciar das coisas do Céu. E Satanás sabe muito bem disso. Tanto é que usa a música “mundana” para minar a espiritualidade de muita gente.

Quando a banda começou a tocar o “rock babilônico”, o ambiente para a adoração idolátrica estava criado. Todo mundo caiu de joelhos diante do ídolo reluzente. Quer dizer, todos, menos três jovens. Você consegue imaginar a cena? Uma multidão prostrada com o rosto no chão e três moços imponentes, de pé, com a face marcada por santa convicção e consagração.

Era a oportunidade que os astrólogos queriam para eliminar a “concorrência” (esquecendo-se de que deviam a vida a Daniel). Foram levar ao rei a notícia do desafio dos hebreus, com palavras carregadas de veneno (cf. Dn 3:8-12). O rei conhecia os moços, assim como conhecia a Daniel.[2] E, por meio de ameaças, tentou dar-lhes segunda chance. Os jovens permaneceram firmes e deram uma resposta que nos ensina profunda lição de confiança em Deus: “Se formos lançados na fornalha de fogo ardente, o nosso Deus, a quem servimos, pode livrar-nos dela, e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (v. 18).

Que fé! Essas palavras de profunda confiança assemelham-se em muito à oração submissa de Jesus, registrada em Mateus 26:39. Isso é fé. Confiança irrestrita em Deus, ainda que desabem os céus sobre nossa cabeça. Fé não é dizer: “Se Deus existe, vai me curar agora!” Fé não é sinônimo de prosperidade financeira automática. Não. Fé é aceitar que a graça do Senhor nos basta (2Co 12:9); que ainda que tenhamos que atravessar o “vale da sombra da morte” (Sl 23:4), Deus nos levará pela mão. É confiar que ainda que venhamos a morrer (Jó 13:15), Deus nos ressuscitará no último dia.

Enraivecido, Nabucodonosor ordenou que se aquecesse ainda mais a fornalha e que os três fossem lançados nela. Então, o milagre aconteceu. Os jovens foram preservados das chamas. Apenas as cordas com que foram amarrados acabaram incineradas. De repente, o rei se levantou assustado. Em meio ao fogo devorador, ele conseguia ver quatro homens caminhando tranquilamente, e pôde identificar o quarto como “semelhante ao Filho de Deus” (v. 25). Ellen White pergunta: “Como sabia o rei pagão a que era semelhante o Filho de Deus?” E ela mesma responde: “[Os hebreus] tinham falado de Cristo, o Redentor vindouro; e na aparência do quarto no meio do fogo, o rei reconheceu o Filho de Deus” (Profetas e Reis, p. 509).

A festa de adoração à imagem pagã acabou se tornando numa ocasião de reconhecimento do poder maravilhoso de Yahweh, o Deus Criador do Universo.

No futuro próximo, outros reis procurarão forçar a consciência dos servos de Deus. Um falso sistema de crenças será imposto no mundo. Novamente o número seis (agora 666) simbolizará o domínio do mal. Ficaremos firmes pelo que é certo, como fez o pastor Dietrich Bonhoeffer? Seremos fiéis mesmo em face da morte, como foram Mizael, Ananias e Azarias?

Isso depende de como estamos vivendo hoje. “Ou somos cristãos decididos de todo coração, ou nada somos” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 1, p. 26).

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. O que você pode fazer para que as boas impressões do Espírito Santo não se apaguem de sua mente?
2. Em que áreas de sua vida você tem cedido e comprometido princípios?
3. Quão importante você acha que é a música na vida do cristão? Como escolher corretamente o tipo de música para ouvir?
4. O que é fé? Você sabe como desenvolvê-la?
5. Você se sente preparado para a controvérsia final em torno da adoração (a Deus ou ao anticristo)? Se não, o que pode fazer a respeito?

1. Segundo o Dr. Ozeas Caldas Moura, “podemos apenas conjecturar quanto à data dessa adoração. Uma boa hipótese é aquela que aponta a ocasião em que o rei Zedequias fez uma viagem à Babilônia (Jr 51:59), no 4º ano do seu reinado (594/593 a.C.), possivelmente atendendo à convocação de Nabucodonosor para que todos os seus magistrados e vassalos viessem à Babilônia para adorar a imagem de ouro (Dn 3:2). Se essa viagem do rei Zedequias foi para atender à convocação do rei babilônico, podemos imaginar o espanto dos jovens hebreus vendo o rei do povo de Deus adorando uma imagem – prática proibida pelo 1º e 2º mandamentos. E também o espanto do rei de Judá, ao ver seus súditos recusarem-se a se prostrar, mesmo correndo risco de morte” (Revista Adventista, março de 2009).

2. Por que Daniel não compareceu à adoração da imagem de Nabucodonosor? O Dr. Ozeas apresenta três hipóteses:

a) Poderia estar enfermo. Que Daniel geralmente tinha boa saúde pode ser inferido do cuidado que ele tinha com sua alimentação (Dn 1:8, 11-15). Mas ele não estava totalmente imune à doença, como pode ser visto em Dn 8:27: “Eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias...”

b) Poderia ter recebido uma missão especial do rei, e estava em viagem pelo reino.

c) Poderia ter sido dispensado daquele ato de adoração pelo próprio Nabucodonosor. Aquele era um ato por meio do qual os súditos demonstravam lealdade ao rei, e Nabucodonosor não tinha dúvida quanto à lealdade de Daniel, tanto que o havia nomeado “governador de toda a província da Babilônia” (Dn 2:48). Assim, poderia tê-lo dispensado. Ao agir assim, estaria evitando duas situações: (1) matar Daniel, pois o rei sabia que esse fiel servo não se prostraria diante da imagem. Mas, como Daniel era um oficial altamente capaz, qualificado e honesto, o rei não desejava perder um auxiliar tão valioso; ou (2) ser desmoralizado perante os grandes de seu reino, ao permitir que Daniel ficasse impune, mesmo não se prostrando diante da estátua. Essa opção também não estava nos planos do rei, que era arrogante e prepotente (Dn 3:15, 19), e não deixaria que alguém o desmoralizasse e o humilhasse.

Daniel 3 – No meio do fogo

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) lutou até o fim por suas convicções e foi enforcado por causa delas. Doutor em teologia pela Universidade de Berlim, Bonhoeffer ajudou a fundar a Igreja Confessante, que rejeitou desafiadoramente o nazismo. “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”, proclamava. Em abril de 1943, o teólogo foi preso por ajudar judeus a fugirem para a suíça. Em 1945, três semanas antes de as tropas aliadas libertarem o campo em que ele estava, foi enforcado com o irmão Klaus e os cunhados Hans e Rüdiger.

Em toda a história do povo de Deus o martírio tem ocorrido e deixado claro para o Universo que seres humanos que amam a seu Criador estão dispostos a dar a vida por Ele e pelo que é certo. Misael, Ananias e Azarias também passaram por isso.

Nabucodonosor, vaidoso que era, mandou construir uma estátua enorme, toda em ouro. Lembra-se do sonho do capítulo 2? Apenas a cabeça, que representava Babilônia, era de ouro. Depois viriam outros reinos de metais diferentes. Pouco mais de duas décadas após ter tido o sonho,[1] as impressões iniciais causadas pela interpretação de Daniel se foram da mente do rei. Ao construir a estátua dourada, Nabucodonosor estava contrariando a profecia, como que dizendo que seu reino duraria para sempre.

Mas havia outra coisa envolvida nessa atitude do rei. Note que as medidas da estátua são um tanto estranhas: 60 côvados de altura por seis côvados de largura, ou seja, uns 30 metros por 3. Era quase uma “vareta”! Essas medidas não foram escolhidas por acaso. O seis é conhecido como o número do anticristo ou da imperfeição humana, em oposição ao sete, que representa a perfeição de Deus. Portanto, a repetição do seis na estátua era uma indicação de que ela simbolizava, na verdade, todo o panteão de deuses babilônicos (isso fica claro no verso 12). Nabucodonosor esteve perto de conhecer a verdade, mas se deixou levar pela vaidade. “Sentiu-se influenciado pelo temor de Deus; contudo, o seu coração não ficou purificado da ambição mundana e do desejo de exaltação” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 504, 505).

Há uma lição para todo cristão aqui. Alguns acham que a experiência do passado (a conversão, o batismo, uma semana de oração, etc.) pode lhes garantir uma vida de sucesso espiritual. Isso é um engano. Se a relação com Deus não for alimentada diariamente – como o cultivo do amor no casamento, por exemplo –, a derrota é certa.

Bem, depois de construída a estátua, Nabucodonosor mandou convocar todos os oficiais da corte e os governantes vassalos de seu império. Reuniu-os na planície de Dura, diante do ídolo, e deu a ordem: assim que a banda tocasse, todos deveriam se prostrar em adoração à estátua. E ameaçou: se alguém não obedecesse, seria lançado na fornalha e viraria churrasco! E agora? O que fazer? Alguns devem ter racionalizado: “Mas é apenas uma estátua. Eu sei em que creio e não vejo problema em me ajoelhar apenas para preservar a vida.” Sabe o que é pior? Jerusalém era um reino vassalo. O rei dos israelitas estava ali. E se prostrou.

Quantas vezes, cegados pela falta de visão espiritual (lembra da importância da temperança e da clareza mental?), também acabamos cedendo e comprometendo nossos princípios: só vou beber um pouquinho para não ser rejeitado por meus amigos; é apenas uma prova no sábado; darei uma espiada nesse site pornográfico apenas por curiosidade; vou “ficar” com essa garota, afinal, todo mundo faz isso... E, quando menos se espera, o vício se instala e nossa fé desmorona.

A música também tem um poder tremendo sobre nós. Ela pode tanto nos aproximar de Deus, elevando nossos pensamentos, quanto pode nos distanciar das coisas do Céu. E Satanás sabe muito bem disso. Tanto é que usa a música “mundana” para minar a espiritualidade de muita gente.

Quando a banda começou a tocar o “rock babilônico”, o ambiente para a adoração idolátrica estava criado. Todo mundo caiu de joelhos diante do ídolo reluzente. Quer dizer, todos, menos três jovens. Você consegue imaginar a cena? Uma multidão prostrada com o rosto no chão e três moços imponentes, de pé, com a face marcada por santa convicção e consagração.

Era a oportunidade que os astrólogos queriam para eliminar a “concorrência” (esquecendo-se de que deviam a vida a Daniel). Foram levar ao rei a notícia do desafio dos hebreus, com palavras carregadas de veneno (cf. Dn 3:8-12). O rei conhecia os moços, assim como conhecia a Daniel.[2] E, por meio de ameaças, tentou dar-lhes segunda chance. Os jovens permaneceram firmes e deram uma resposta que nos ensina profunda lição de confiança em Deus: “Se formos lançados na fornalha de fogo ardente, o nosso Deus, a quem servimos, pode livrar-nos dela, e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (v. 18).

Que fé! Essas palavras de profunda confiança assemelham-se em muito à oração submissa de Jesus, registrada em Mateus 26:39. Isso é fé. Confiança irrestrita em Deus, ainda que desabem os céus sobre nossa cabeça. Fé não é dizer: “Se Deus existe, vai me curar agora!” Fé não é sinônimo de prosperidade financeira automática. Não. Fé é aceitar que a graça do Senhor nos basta (2Co 12:9); que ainda que tenhamos que atravessar o “vale da sombra da morte” (Sl 23:4), Deus nos levará pela mão. É confiar que ainda que venhamos a morrer (Jó 13:15), Deus nos ressuscitará no último dia.

Enraivecido, Nabucodonosor ordenou que se aquecesse ainda mais a fornalha e que os três fossem lançados nela. Então, o milagre aconteceu. Os jovens foram preservados das chamas. Apenas as cordas com que foram amarrados acabaram incineradas. De repente, o rei se levantou assustado. Em meio ao fogo devorador, ele conseguia ver quatro homens caminhando tranquilamente, e pôde identificar o quarto como “semelhante ao Filho de Deus” (v. 25). Ellen White pergunta: “Como sabia o rei pagão a que era semelhante o Filho de Deus?” E ela mesma responde: “[Os hebreus] tinham falado de Cristo, o Redentor vindouro; e na aparência do quarto no meio do fogo, o rei reconheceu o Filho de Deus” (Profetas e Reis, p. 509).

A festa de adoração à imagem pagã acabou se tornando numa ocasião de reconhecimento do poder maravilhoso de Yahweh, o Deus Criador do Universo.

No futuro próximo, outros reis procurarão forçar a consciência dos servos de Deus. Um falso sistema de crenças será imposto no mundo. Novamente o número seis (agora 666) simbolizará o domínio do mal. Ficaremos firmes pelo que é certo, como fez o pastor Dietrich Bonhoeffer? Seremos fiéis mesmo em face da morte, como foram Mizael, Ananias e Azarias?

Isso depende de como estamos vivendo hoje. “Ou somos cristãos decididos de todo coração, ou nada somos” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 1, p. 26).

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. O que você pode fazer para que as boas impressões do Espírito Santo não se apaguem de sua mente?
2. Em que áreas de sua vida você tem cedido e comprometido princípios?
3. Quão importante você acha que é a música na vida do cristão? Como escolher corretamente o tipo de música para ouvir?
4. O que é fé? Você sabe como desenvolvê-la?
5. Você se sente preparado para a controvérsia final em torno da adoração (a Deus ou ao anticristo)? Se não, o que pode fazer a respeito?

1. Segundo o Dr. Ozeas Caldas Moura, “podemos apenas conjecturar quanto à data dessa adoração. Uma boa hipótese é aquela que aponta a ocasião em que o rei Zedequias fez uma viagem à Babilônia (Jr 51:59), no 4º ano do seu reinado (594/593 a.C.), possivelmente atendendo à convocação de Nabucodonosor para que todos os seus magistrados e vassalos viessem à Babilônia para adorar a imagem de ouro (Dn 3:2). Se essa viagem do rei Zedequias foi para atender à convocação do rei babilônico, podemos imaginar o espanto dos jovens hebreus vendo o rei do povo de Deus adorando uma imagem – prática proibida pelo 1º e 2º mandamentos. E também o espanto do rei de Judá, ao ver seus súditos recusarem-se a se prostrar, mesmo correndo risco de morte” (Revista Adventista, março de 2009).

2. Por que Daniel não compareceu à adoração da imagem de Nabucodonosor? O Dr. Ozeas apresenta três hipóteses:

a) Poderia estar enfermo. Que Daniel geralmente tinha boa saúde pode ser inferido do cuidado que ele tinha com sua alimentação (Dn 1:8, 11-15). Mas ele não estava totalmente imune à doença, como pode ser visto em Dn 8:27: “Eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias...”

b) Poderia ter recebido uma missão especial do rei, e estava em viagem pelo reino.

c) Poderia ter sido dispensado daquele ato de adoração pelo próprio Nabucodonosor. Aquele era um ato por meio do qual os súditos demonstravam lealdade ao rei, e Nabucodonosor não tinha dúvida quanto à lealdade de Daniel, tanto que o havia nomeado “governador de toda a província da Babilônia” (Dn 2:48). Assim, poderia tê-lo dispensado. Ao agir assim, estaria evitando duas situações: (1) matar Daniel, pois o rei sabia que esse fiel servo não se prostraria diante da imagem. Mas, como Daniel era um oficial altamente capaz, qualificado e honesto, o rei não desejava perder um auxiliar tão valioso; ou (2) ser desmoralizado perante os grandes de seu reino, ao permitir que Daniel ficasse impune, mesmo não se prostrando diante da estátua. Essa opção também não estava nos planos do rei, que era arrogante e prepotente (Dn 3:15, 19), e não deixaria que alguém o desmoralizasse e o humilhasse.

Daniel 1 - O campo que leva ao Céu

Silvânia dos Santos Moreira tinha 23 anos quando se formou no curso de Filosofia e Ciências Exatas na cidade de Presidente Venceslau, SP, em 2007. Nesse período, ela lecionava para crianças numa área rural do município de Rosana, quase na divisa com o Mato Grosso do Sul, a 174 km de sua cidade. Durante a semana, levantava-se às 5h30 para tomar o ônibus que a levava ao local de trabalho. Às 16h30 tomava outro ônibus para a faculdade. Quando chegava em casa, eram sempre 2h da madrugada.

A despeito da rotina massacrante, Silvânia separava tempo para Deus e sabia que sua vida espiritual dependia desses momentos. Depois de ministrar as aulas do período da manhã, assim que os alunos iam embora, ela aproveitava o ambiente rural, com vista para um campo gramado que sumia no horizonte, se sentava e mantinha comunhão com o Criador. Lia a Bíblia e falava com seu Pai Celestial. Esses momentos a fortaleceram também para falar do amor de Deus aos outros.

Na faculdade, havia um professor ateu cuja inteligência e conhecimentos na área de exatas eram bem conhecidos. Certa ocasião, Silvânia e ele tiveram um diálogo em sala de aula. Ele afirmava não existirem comprovações da veracidade da Bíblia, mas Silvânia sentia que ele queria mesmo era testar a fé dela diante dos colegas; fazê-la vacilar ou se sentir intimidada. Silvânia não tinha apenas teoria religiosa na cabeça. Ela conhecia o Criador de quem falava e essa convicção, aliada a orações e à paciência cativaram a amizade do professor. Antes de se formar, ela o presenteou com um livro sobre as profecias de Daniel. O professor prometeu que iria lê-lo, em consideração à aluna a quem aprendera a respeitar.

“Por mais difícil e trabalhoso que seja o ambiente em que estejamos, o que realmente importa são as nossas escolhas de fidelidade para com Deus”, afirma a jovem.

Há cerca de 2.600 anos, um jovem teve que ser fiel em circunstâncias muito difíceis. Seu nome era Daniel. Soldados liderados pelo rei babilônico Nabucodonosor invadiram Jerusalém e arrancaram filhos e filhas dos braços dos pais. Os mais inteligentes e bonitos foram raptados. Enquanto transpunha os 1.500 km que separam Jerusalém de Babilônia, quantos pensamentos devem ter passado pela mente do jovem hebreu: O que o esperava na capital pagã? Será que voltaria a ver a família algum dia? O que o rei pagão faria com todos aqueles jovens presos?

Assim que chegaram à cidade, os cativos hebreus passaram por um processo de aculturação. O plano do rei era mudar a mente e o caráter dos israelitas, e ele começou sua estratégia trocando o nome deles. Daniel significa “Deus é meu juiz”. Seu novo nome passou a ser Beltessazar, ou seja, “[o deus] Bel proteja a sua vida”. Outros três jovens cativos se chamavam Hananias (“o Senhor demonstra a Sua graça”), Misael (“quem é como Deus?”) e Azarias (“o Senhor ajuda”). Foram rebatizados, respectivamente, de Sadraque (algo como “sob o comando de Aku” [o deus-lua], Mesaque (“quem é como Aku?”) e Abede-Nego (“servo [do deus] Nabu”).

O rei bem que tentou, mas o coração e a mente daqueles jovens já tinham Dono. O negócio era intensificar o processo de “transmutação mental”. Os garotos foram matriculados na “Universidade Federal de Babilônia”. Ali aprenderam a língua, os costumes, a ciência e a religião dos caldeus. Receberam o diploma. Mas o caráter permaneceu intacto. Eles haviam decidido assim muito tempo antes.

Outra prova difícil (desta vez gastronômica) está registrada no verso 8 do capítulo 1 do livro de Daniel: “Mas Daniel propôs no coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia.” Seria uma honra poder se alimentar com as mesmas finas iguarias consumidas pelo monarca, mas Daniel e seus amigos não estavam preocupados com honras humanas e privilégios passageiros. Estavam, antes, preocupados em manter a mente limpa para terem discernimento intelectual e espiritual num mundo que queria sufocá-los. Conforme escreveu Ellen White, “jamais podereis conseguir um bom caráter só com o desejá-lo. Isto só poderá ser obtido mediante labor” (Mensagens aos Jovens, p. 348).

Essa fibra e força de vontade dos três hebreus realmente surpreendem, porque, do ponto de vista humano, o que eles tinham a ganhar em se manterem fiéis à sua religião? Aparentemente, Deus os havia abandonado à própria sorte. Não havia ninguém da “igreja” para condená-los, caso cedessem à pressão. Nem mesmo os pais estavam ali para observá-los. Mas eles sabiam que viviam à vista de um Deus santo e que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28), mesmo as coisas ruins para as quais não temos respostas enquanto as estamos experimentando. Qual o segredo da força dos quatro amigos? Isso ficará mais evidente no próximo capítulo. Mas, por hora, é preciso deixar claro que “[Daniel] foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, p. 19).

Quando o chefe dos eunucos manifestou preocupação com a negativa dos hebreus de comer os “mac-lanches” babilônios, Daniel fez uma proposta movido por santa ousadia: que lhes fosse permitido comer legumes e beber água por dez dias. Desafio aceito. No fim daquele período, os quatro israelitas estavam plenamente saudáveis e foram considerados dez vezes mais inteligentes que os demais sábios do reino.

Quando Deus nos pede que abramos mão de certas coisas, é porque sabe o que é melhor para nós. Ele criou nosso corpo e sabe que alimentos e hábitos lhe fazem bem. Ele criou nossos sentimentos e sabe que relacionamentos nos serão benéficos e edificantes. Ele criou nossa mente e sabe que entretenimentos poderão moldá-la para o bem. Por trás de cada negativa divina (não coma isso, não vá àquele lugar, não namore essa pessoa...) existe uma bênção. Existe proteção. Existe um futuro seguro.

De certa forma, somos cativos neste mundo de pecado. Além das tragédias a que estamos sujeitos deste lado da eternidade, o inimigo exerce todo o seu poder na tentativa sutil de distorcer nosso caráter cristão. Usa a internet, a televisão, a música, relacionamentos, professores, livros e revistas para destruir os fundamentos de nossa fé. Se não estivermos construindo sobre a Rocha (Jesus), certamente seremos arrastados com a avalanche de mundanismo, licenciosidade e descrença que destrói o planeta.

Daniel provou o gosto amargo da perda e da separação. Assim como Silvânia, que teve que viver uma rotina difícil, estressante, que apontava na direção contrária do Céu. Mas ele escolheu ser fiel. Sentava-se em frente ao “campo”, orava e lia as Escrituras. Como veremos adiante, fortalecido por esse relacionamento íntimo com o Criador, Daniel foi capaz de testemunhar num ambiente hostil e tocar a vida do maior monarca de sua época.

Não importa o problema pelo qual você esteja passando ou a rotina acachapante em que esteja vivendo, manter comunhão com o Pai é a coisa mais importante; deve ser o principal compromisso em sua agenda. Sua vida eterna depende disso – e deve começar ali mesmo, em frente ao “campo”.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. De que maneiras a sociedade secular tenta mudar nosso caráter hoje?

2. Leia Romanos 12:2 e responda: De que maneiras podemos evitar que o “mundo” nos “molde” aos seus costumes e mentalidade?

3. Por que a temperança (vida equilibrada e saudável) é tão importante para a vida espiritual?

4. Leia e depois discuta sobre o seguinte texto de Ellen White: “Existe uma íntima relação entre a natureza física e a moral [...] Hábitos errôneos no comer e beber conduzem a erros no pensar e agir” (Santificação, p. 27).

5. O que você entende por “construir sobre a Rocha”? De que maneiras práticas podemos fazer isso?

Daniel 5 – Escolhas

Raynald III viveu no século 14. Era um verdadeiro bom vivant e extremamente gordo, tanto que também ficou conhecido pelo apelido latino Crassus, que quer dizer gordura. Após uma disputa violenta, seu irmão mais novo, Edward, comandou uma rebelião contra ele. Edward capturou Raynald e em vez de matá-lo construiu um quarto ao redor dele, no Castelo de Nieuwkerk, e prometeu que ele poderia recuperar a liberdade assim que conseguisse sair dali. Detalhe: o quarto tinha várias janelas e uma porta de tamanho quase normal, que ficavam abertos, mas impediam a passagem do corpanzil de Raynald. Para recuperar a liberdade, portanto, ele precisava perder peso. Mas Edward conhecia bem o irmão mais velho e todos os dias lhe enviava comidas deliciosas. Raynald não perdeu peso. Pelo contrário, engordou mais e ficou no quarto por dez anos, até que o irmão morreu em batalha. Entretanto, logo em seguida, sua saúde ficou tão arruinada que ele morreu dentro de um ano. Raynald foi prisioneiro do próprio apetite; escolheu a satisfação em lugar da liberdade.

O capítulo 5 de Daniel também fala de escolhas. Pouco mais de vinte anos haviam se passado desde a morte de Nabucodonosor. Quem reinava agora era Nabonido, auxiliado pelo filho Belsazar. A triste cena narrada por esse capítulo mostra o corregente dando uma festa no palácio. Não contente com a bebedeira e as orgias idolátricas, mandou trazer os utensílios que outrora haviam sido utilizados no santuário de Deus, em Israel. Iria se embriagar com os recipientes que haviam recebido o sangue dos cordeiros que representavam a Jesus. O pecado é assim mesmo: uma vez acariciado, leva a pessoa à cegueira, a tal ponto que ela não mais discerne entre o sagrado e o profano.

Quando a mente já estava entorpecida pelo vinho, Belsazar sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha. O que era aquilo? Ele deve ter esfregado os olhos quando viu uma mão misteriosa escrevendo algo na parede branca. Tentando se recompor (embora os joelhos tremessem de medo), ele deu uma ordem: que os encantadores e os feiticeiros fossem trazidos ali imediatamente, a fim de interpretar o que a mão havia escrito. E prometeu que quem fizesse isso seria o terceiro no reino, ou seja, ocuparia função apenas abaixo de Nabonido e dele mesmo.

Belsazar não aprendera a lição. No tempo de Nabucodonosor, ficara mais que provado que os feiticeiros e astrólogos não passavam de charlatães inúteis. E, como tal, mais uma vez falharam; não puderam ler a escrita na parede, o que deixou o rei ainda mais perturbado.

Naquele momento, entrou no salão de festas a rainha mãe (possivelmente uma das esposas de Nabucodonosor). Ela conhecia Daniel e fez lembrar ao rei que o hebreu tinha o “espírito dos deuses santos” (v.11; ela não sabia dizer Espírito Santo, mas tudo bem...). Daniel, agora com mais ou menos 80 anos, foi chamado à presença do rei, que lhe ofereceu todas as riquezas prometidas aos outros sábios. Como quem não deve nada a ninguém, movido pela fé e coragem que o caracterizavam, o profeta disse: “As tuas dádivas fiquem contigo, e dá os teus presentes a outros. Todavia lerei ao rei a escritura, e lhe farei saber a interpretação” (v. 17).

Em seguida, Daniel recapitulou a história da ascensão, queda e conversão de Nabucodonosor. Disse também que, embora Belsazar soubesse de tudo isso, não humilhou o coração (v. 22). Nas palavras de Ellen White, “a oportunidade de conhecer e obedecer ao verdadeiro Deus tinha-Lhe sido dada, mas não tinha sido levada ao coração, e ele estava prestes a colher as consequências da sua rebelião” (Profetas e Reis, p. 529).

De uma forma ou de outra, todos têm oportunidades de escolher o caminho certo. Se usam mal a liberdade que possuem, à luz da verdade que lhes foi apresentada, devem assumir as consequências dessa escolha. Foi o que aconteceu com o inconsequente Belsazar.

A inscrição traduzida por Daniel era um juízo contra Babilônia e seu rei. Dizia: “Mene, mene, tequel e parsim.” Decifrada, fica: “Contou Deus o teu reino e o acabou. Pesado foste na balança, e foste achado em falta. Dividido foi o teu reino, e dado aos medos e persas” (v. 26-28).

Naquela mesma noite, os persas desviaram o curso do rio Eufrates, que cruzava Babilônia, entraram por baixo dos muros, pelo leito seco, e mataram os guardas sonolentos. O período da cabeça de ouro da estátua de Daniel 2 estava acabado. Os braços de prata agora dominavam o cenário histórico. Dario, o medo, era o novo rei.

Já pensou que você pode estar sendo “pesado” hoje? Agora é o dia da salvação, diz Paulo, em 2 Coríntios 6:2. Qual a sua situação diante de Deus? Para que lado vai pender o prato da balança? Satanás, como o irmão mais velho de Raynald, nos conhece bem. Sabe que pontos fracos explorar para nos manter presos a uma vida de pecado.

Aquilo que ouvimos, lemos, assistimos, pensamos, comemos... de uma forma ou de outra contribuirá para decidir nosso destino. Por isso, devemos fazer escolhas sábias, orientados pela Palavra de Deus e fortalecidos pelo poder do Espírito Santo – o mesmo Espírito de quem Daniel era cheio.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. Quais as consequências de se manter um pecado consciente e acariciado?
2. Como podemos fortalecer nossa força de vontade para resistir aos apelos do mundo e nos “desviar do mal” (Jó 1:1)?
3. De que forma podemos ser “cheios do Espírito” (Ef 5:18)?

Testemunho da arqueologia

O livro do profeta Daniel, no capítulo 5, menciona que o rei de Babilônia em 539 a.C. era Belsazar. Mas a história oficial afirmava que esse homem nem sequer existira. “Para vexação de tais críticos, W. H. F. Talbot publicou em 1861 a tradução de uma oração – escrita em caracteres cuneiformes – oferecida pelo rei Nabonidus, na qual ele pede aos deuses que abençoem seu filho Belsazar!” (H. Fox Talbot, “Translation of Some Assyrian Inscriptions”,Journal of the Royal Asiatic Society 18 [1861]:195 – citado por C. Mervyn Maxwell, Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel, p. 91 [Casa]. Ver também: Revista Adventista, abril de 1996, p. 11).

Os críticos, então, aceitaram a existência de Belsazar, mas em sua resistência contra a Palavra de Deus, alguns deles continuaram insistindo que Belsazar jamais fora identificado como rei, fora da Bíblia. Até que, em 1924, foi traduzido e publicado o Poema de Nabonidus (Tablete nº 38.299 do Museu Britânico) por Sidney Smith. Esse documento histórico oficial atesta que Nabonidus deixou Babilônia e se dirigiu a Tema, e no trono deixou quem? Belsazar!

E mais: o livro Profetas e Reis, de Ellen White, saiu do prelo em 1917, portanto, sete anos antes da publicação do Poema de Nabonidus. E a afirmação da Sra. White de que Belsazar fora admitido em sua juventude a partilhar da autoridade real, não apenas era desconhecida pela História, na época, como não constava na Bíblia! Como poderia ela ter sabido, em detalhes, que Nabonido havia partilhado sua autoridade real com o filho? Certamente o mesmo Espírito que inspirou Daniel também inspirou Ellen White.

Para vergonha dos críticos, uma vez mais o relato bíblico estava confirmado. Daniel vivia na corte de Babilônia e estava familiarizado com esse costume de o filho assumir o cargo do pai, quando este saia em excursões militares. Portanto, “em instância após instância quando se destacava a inexatidão histórica como sendo prova da autoria tardia e espúria dos documentos bíblicos, o relatório dos hebreus tem sido vindicado pelos resultados das escavações recentes, e comprovou-se que os juízos zombeteiros dos documentaristas carecem de fundamento” (Gleason L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testamento, p. 183, 184).

Daniel 6 – Pé na cova, olhos no Céu

Frank Westphal foi o primeiro pastor adventista do sétimo dia a pisar em solo brasileiro. Em fevereiro de 1895, ele desembarcou no Rio de Janeiro com uma missão muito especial: batizar os primeiros conversos em nosso país. Primeiramente, ele se dirigiu ao interior do Estado de São Paulo. No rio Piracicaba, em abril de 1895, Westphal batizou Guilherme Stein Jr. Depois, o pastor se dirigiu a Santa Catarina, para batizar em Brusque e Gaspar Alto os primeiros conversos ao adventismo no Brasil, entre eles o pioneiro Guilherme Belz, convencido da santidade do sábado em 1890. Westphal ficou cinco meses trabalhando no Brasil, mas, finalmente, chegou o momento de voltar para sua família, que na época residia na Argentina. Quando chegou em casa, a esposa e o filho de quatro anos foram recebê-lo à porta, mas a filhinha Helen não apareceu. A Sra. Westphal, com o olhar triste, contou ao esposo que a menina havia falecido duas semanas antes. Muitas cartas foram enviadas ao Brasil, relatando a situação de Helen, mas nenhuma delas chegou às mãos do pastor.

O texto a seguir é um dos relatos missionários mais emocionantes que já li. Foi escrito por Westphal e o reproduzi em meu livro A Chegada do Adventismo ao Brasil: “À medida em que ela me contou os detalhes acerca da batalha perdida para a morte, nossos corações sofreram, mesmo que não desejássemos reclamar. Além do mais, essa triste experiência abriu mais ainda nossa compreensão do maravilhoso amor de Deus. Percebemos mais profundamente quão grande foi o amor do Pai Celeste em ter dado Seu único Filho para morrer uma morte cruel, numa terra estranha, distante de Seu lar celestial e de todos aqueles de quem recebia amor e simpatia. Isto nos levou a consagrar nossas vidas uma vez mais a Deus e à Sua obra, e trabalhar fielmente, para que venha logo o dia em que o Senhor aparecerá e devolverá nossa pequena filha aos braços de sua mãe.” Que maturidade espiritual!

Daniel, no alto de seus mais de 80 anos de idade, também poderia ter reclamado do que a vida lhe aprontou. Graças a uma trama diabólica arquitetada por seus invejosos colegas da corte medo-persa (sempre eles), acabou sendo condenado à cova dos leões. “[Daniel] era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” (Dn 6:4). Mas quem disse que isso é garantia de ausência de problemas? A dor, as provações e as lutas batem à porta de todos neste planeta; o que os diferencia é a atitude em face da tragédia.

Manipulado pelos ministros, governadores e prefeitos, o rei Dario baixou um decreto segundo o qual pelo período de 30 dias todo mundo deveria orar apenas ao rei, sob pena de, caso desobedecesse, ser jogado aos leões. Claro que o monarca gostou daquilo. A vaidade falou alto e ele assinou a lei; e nem se lembrou do ancião judeu a quem aprendera a respeitar – tanto que inicialmente pensou até em colocá-lo como a mais alta autoridade no reino (v. 3), justamente o que motivou o plano vingativo.

Em lugar de se desesperar ou reclamar, Daniel manteve a serenidade e fez exatamente o que fazia todos os dias: “Entrou em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas para o lado de Jerusalém, e três vezes no dia se punha de joelhos, orava e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (v. 10, grifo acrescentado). Dava graças?! Que maturidade espiritual!

“Em tempos de provação e tristeza, os filhos de Deus devem ser precisamente o que eram quando suas perspectivas brilhavam de esperança e estavam cercados de tudo o que poderiam desejar” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 545).

Daniel suportou a prova porque tinha por hábito orar três vezes ao dia (e, como já vimos, ele também era estudioso das Escrituras). Se ele tivesse deixado para orar somente no momento do aperto, como se Deus fosse um bombeiro a quem Se invoca apenas para apagar fogos, certamente não teria resistido à pressão.

Quando o rei Dario entendeu o que estava acontecendo, era tarde demais. As leis medo-persas não podiam ser revogadas, nem por ele. Daniel teria que ir para a cova. “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, Ele te livrará”, disse Dario (v. 16). O soberano passou a noite em claro e em jejum (v. 18). Bem, parece que ele teve uma noite pior que a de Daniel...

Com os pés na cova, Daniel tinha os olhos no Céu. Ele sabia que “o Céu está mais próximo daqueles que sofrem por amor da justiça” (Profetas e Reis, p. 545). Ficou tranquilo, pois tinha certeza de que o Deus em quem confiava guardava-lhe a vida. Ao longo de oito décadas, mantivera relacionamento íntimo com seu Criador e sabia que podia depositar total confiança nEle.

De manhã cedo, o rei correu para a cova e gritou: “Daniel, servo do Deus vivo! Será que o seu Deus, a quem você serve com tanta dedicação, conseguiu salvá-lo dos leões?” (v. 20, NTLH). Na voz de Daniel não havia angústia, como na do rei: “O meu Deus mandou o Seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano” (v. 22). O rei passou a noite em claro. Daniel pode ter dormido encostado na juba de um leão!

Por vezes, os cristãos terão que passar pelo “vale da sombra da morte” (Sl 23:4), mas uma coisa ninguém pode tirar deles: a paz e a confiança. Pode ser que sejamos livrados dos leões, mas noutras ocasiões, por causa de nossa fidelidade a Deus e aos Seus mandamentos, poderemos até perder o emprego, um ano de faculdade ou até a vida. O que importa é ser fiel como Daniel, Westphal e tantos outros. O resultado poderá ser um testemunho como o dado pelo rei Dario, após tirar Daniel da cova:

“[O Deus de Daniel] é o Deus vivo, que vive para sempre. O Seu reino nunca será destruído; o Seu poder nunca terá fim. Ele socorre e salva; no céu e na terra, Ele faz milagres e maravilhas. Foi Ele quem salvou Daniel, livrando-o das garras dos leões” (NTLH).

E Ele quer salvar você do “leão que ruge, procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8, NTLH). Ande com Jesus e Ele fechará também a boca desse leão.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. Por que a oração é importante na vida do cristão?
2. Como desenvolver a fé para resistir nos momentos de pressão e prova?
3. Que resultados pode ter nosso testemunho de fidelidade a Deus?